Enquanto caminhamos nessa vida, milhares de impressões são registradas e armazenadas na mente criando a realidade de acordo com boa parte desse acervo.
Muitos seres se liberaram do (círculo). Podemos viver nele sem estarmos aprisionados. Esse círculo podemos chamar de realidade dual e polarizada por conta dos intrincados links mente/corpo.
Esses seres ativaram um viver de comunhão a partir da profunda conexão com a Fonte. Adotaram a verticalidade como diretriz para esvaziar todo o conteúdo recebido. O termo ir para “fora do círculo”, representa ir para fora do condicionamento partindo para um novo caminho onde o desconhecido se encontra em toda a parte. Tudo lá está fresco e novo!
Dentro do círculo, o conhecimento vem e depois ele precisa ser liberado. Esse liberar ocorre sem controle, sem formatações, significados, sem gerar mais identificações.
O desconhecido é o espaço no qual o seu saber aflora, o conhecido é onde o velho conteúdo perpetua.
São tantos meios de conhecer Deus, de ver Deus em ti, e em todos. Viver no círculo com a consciência de totalidade, em comunhão entendendo que tudo está dentro da ordem. E pela consciência de unidade , comungamos sem lutar contra ou a favor porque adotamos o potente exercício dhármico de oferecer as nossas ações para o bem de todos. Não importa se há uma incongruência ainda no seu mundo externo também. Tudo pertence a uma ordem e pode ser visto com a uma lente especial. Só depende de você.
Os manuscritos, livros diversos recheados de profundo conhecimento são alimentos para os buscadores. Esses conhecimentos auxiliam numa educação em todas as esferas do indivíduo. Mas por um certo tempo. Eles tem a sua importância, mas depois vem a pergunta fundamental. Afinal, quem sou eu?
Muitas experiências do lado de fora. E como seria eu ter a minha experiência direta?
No início de nossa jornada buscamos por segurança e nutrimos o desejo, para depois firmarmos um propósito, o dharma, que é a contribuição de sua monada, consequentemente o seu fractal de alma no mundo.
Muitos mestres que realizaram e viveram o quarto passo da vida , que chamamos de moksha, não estudaram muito, e quando estudaram, tiveram que soltar tudo. Nem tornaram significantes os seus títulos. Lao Tsé era calado, ao final de sua jornada foi pedido que escrevesse o Tao Te Ching. Colocou ali a sua experiencia, um legado de tamanha sabedoria.
Grandes sábios buscaram em seu íntimo o verdadeiro saber. A sabedoria mora em nós!
O conhecimento é transmitido oralmente de acordo com a tradição. E mesmo assim é como um empurrão, mas o caminhar é por conta de cada um, é seguir o seu saber, assim estamos nos referindo ao brinde que a vida interior traz com o desejo de beber da fonte pura de amor.
Prosseguir para fora do círculo requer vontade de alma, perseverança para abstrair os sentidos e acessar a esfera anímica de infinitas belezas.
Essa nova energia te convida a revelar o seu saber que não está nos fios emaranhados de sua memória cognitiva, está em sua biblioteca espiritual que só pode ser acessada com um mergulho em seu núcleo, para fora de qualquer zona de conforto, zona espacial condicionada.
A cada instante toda a graça te alveja, mas você pode estar pensando em algo, ou num tempo psicológico, ou lendo um livro, ou vendo um filme… E está tudo bem, mas ela insistirá, ela não desistirá de te arrebatar no instante em que você estiver nu, em que você escolher pular para fora do círculo, no momento em que escolher ser livre em sua totalidade! Abandonar o eu cheio de desejos, nomes, formas e títulos.
É realmente inebriante brindar com a graça, essa felicidade antes sonhada e sempre disponível!
Como sair do círculo?
Olhando para si!
Mente significa memória , o conhecido. A mente carrega o que é velho, há um acervo gigantesco sendo arrastado anos e anos. Ela é repetitiva e previsível, não cria originalmente, só a consciência expandida cria com originalidade. A consciência está sempre fresca, jovem, experimenta cada coisa criada com nova alegria.
Que deixemos de absorver e passemos a liberar.
De fora do círculo pode ser muito mais interessante a visão de você aqui, e quando você precisar voltar para dentro do círculo, voltar para a realidade, não estará mais absorvido, porque és livre e você sabe.
Crie um espaço diariamente para observar a sua respiração, seu ritmo, os movimentos dessa mente, ativando o observador, sakshi, a consciência de testemunha, presente, fresca, viva. A mente está entre você e a realidade . Ela está no meio interferindo uma visão límpida, liberta e plena de amor por toda a Criação. Vislumbres desse espaço livre e puro você pode ter experimentado em alguns momentos, e depois isso foi registrado tornando-se uma memória, uma saudade. Eis que ela, a mente, permanece intermediando tudo.
Eu adoro fazer essa prática.
Experimente por uma semana.
A cada dia reserve um período da manhã, à tarde ou à noite para se afastar de aparelhos, de qualquer distração para a mente. Respire profundamente elevando os braços, ao inspirar e abaixando os braços, ao expirar.
Esteja presente com a sua respiração, o ar tocando as narinas nesse processo de inspirar e expirar. Deixe o movimento seguir o ritmo da sua respiração. Perceba que só esse movimento te oferece mais espaço e induz a mente a soltar o controle, deixe que cada gesto seja leve e natural, se permita receber desse momento, do seu próprio corpo…
Depois ao inspirar, busque ao elevar os braços essa energia e se permita banhar-se com ela…
Faça quantas vezes estiver funcionando para você.
Depois sente-se em uma cadeira ou no chão de forma adequada para que a sua respiração flua melhor.
A coluna se possível mais ereta ou se você sente incômodo, coloque um apoio atrás.
Entrelace seus dedos, observe mais um pouco a sua respiração, seu corpo todo conectado com ela e seu campo de energia pleno, você expandindo, expandindo… Expanda a energia, fique observando seu corpo sentado ali de fora, olhe para você, depois olhe para o fluxo metal, depois apenas olhe para o que é tudo isso! Não interprete, apenas aprecie…
Esse amplo espaço que te une a tudo que é… Viva essa conexão e traga essa vibração cósmica para o seu campo físico, deixe essa vibração tocar o seu coração e só saia assim que perceber um profundo amor e uma linda comunhão acontecendo. Sorria com o coração.
Fique presente, você é ❤, alongue-se e aprecie a sua respiração consciente durante todo o dia!
Vibre essas palavras.
Celebro com a graça!
Comungo com o Todo, me permitindo receber Seus presentes!
Sou livre, sou livre!!!

Gratidão! Por

Katia Erbiste
Namastê!